A Moça do Bar - Parte III  

Posted by Henrique Barbosa in , , , ,


Ela entrou rapidamente em seu apartamento, bateu a porta e a escorou com as costas como que para impedir que alguém entrasse. Por que será que todos eles entendem tudo errado? Ela não queria magoá-lo. No fundo estava queimando de desejo, queria aquele beijo tanto quanto ele, talvez mais. Mas por que arriscar? logo ele seria só mais um, iria sair da vida dela como todo mundo que ela amava. Porque passar por tudo isso novamente? Era doloroso.

Então ela percebeu um murmúrio dentro de casa, será que havia entrado alguém? Ela se perguntou. Com o olhar procurou a origem do som, apenas para perceber que havia deixado o rádio ligado. No momento passava uma música que ela não conhecia:

"No creas que perdió sentido todo 
no dificultes la llegada del amor 
no hables de mas, escucha el corazón"


Só então ela percebeu que bloqueava a porta não para impedi-lo de entrar e sim para impedir-se de sair. Deixou o medo de lado e resolveu entregar-se ao que sentia. Escancarou a porta e correu para encontrá-lo.


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Eu ainda me encontrava no mesmo lugar. Me sentia desolado, eu tinha aquele dom de perder as pessoas. Não sabia interpretar os sentimentos delas para comigo, estava sempre fora de sincronia e acabava dando algum passo rápido demais. Precisava sair dali, mas não queria ir para casa então resolvi caminhar um pouco até colocar as idéias no lugar.

Não havia caminhado muito quando senti que me tocavam o ombro. Me virei e a vi ofegante. Havia algo de diferente nela, seus olhos brilhavam de uma forma que havia visto apenas em crianças depois de alguma descoberta. Sua postura passava uma nova força, ela estava decidida.

- Desculpa... - Ela disse.
- Por? - Eu respondi.
- Por não ter feito isso antes - disse e num impulso me beijou. Foi um beijo breve mas apaixonado. A envolvi em meus braços e a beijei de volta. E assim ficamos algum tempo abraçados sob as poucas estrelas que a poluição luminosa nos permitia. Era noite de outono, a lua estava cheia e de onde estávamos podíamos admirar todo o seu esplendor.
- Tá afim de um café? - Perguntou rompendo o silêncio.
- É uma boa idéia - Eu respondi.
Segurando a minha mão, me guiou de volta até o seu apartamento. Não nos beijamos novamente, ela pôs água para ferver e disse que precisava de um banho. Me disse para ficar a vontade, fui até a estante na sala e corri meus olhos sobre os títulos. Não seguiam um padrão.
Haviam livros dos mais variados gêneros, psicologia, ficção científica, romance e poesia. Retirei um livro com um título sugestivo de Manual de Sobrevivência em Caso de Apocalipse Zombie. O livro descrevia detalhadamente como improvisar armas utilizando todo o tipo de coisa que se pode encontrar em uma loja de ferragens.
Ela saiu do banheiro enrolada em uma toalha branca, pernas a mostra, passou até a cozinha e desligou o fogo. Quando passou por mim novamente sorriu e disse se referindo ao livro - É preciso estar preparada caso aconteça. Trocou de roupa e foi preparar o café, trouxe para mim em uma caneca vermelha (que vim saber depois ser a sua favorita), sentou ao meu lado no sofá calada, deixei o livro de lado e pus a acariciar o seus cabelos. Sabíamos o que o outro estava pensando e queríamos a mesma coisa. Não saberia precisar quanto tempo levamos assim até ela perguntar como estava o café. Respondi que estava muito bom, começamos a falar de livros. Ela perguntou se eu estava lendo algo interessante no momento e eu comecei a falar sobre um livro de contos escrito por um conterrâneo. Ela me disse que gostava de poemas, resolvi não levar muito adiante este assunto, eu detestava poemas. Ela repousou a cabeça em meu colo enquanto eu continuava acariciando seus cabelos, nunca havia visto o seu rosto daquele ângulo, sua beleza era singular, seus lábios eram naturalmente vermelhos e carnosos. Ela ergueu a cabeça e me roubou um selinho, eu tomei seu rosto em minhas mãos e a beijei. Rimos juntos então ela se levantou e sentou no meu colo de frente para mim. Nos beijamos por mais algum tempo. Eu levantei sua blusa, não houve resistência. Ela estava sem sutiã, tirou a minha camisa e me abraçou, queria sentir o toque da minha pele. Percorri cada curva do seu corpo com meus lábios dando leves mordidas de vez em quanto. Passamos para o quarto, ela sabia o que queria. Intercalamos sexo e intervalos algumas vezes até que ela ela dormiu com a cabeça em meu peito, eu levei muito tempo para dormir.
Despertei com o alarme do meu celular, era manhã e ela não estava na cama. Eu sentia o cheiro de café fresco vindo da cozinha. Levantei e fui até a cozinha, ela me desejou um bom dia com um belo sorriso no rosto. Quis beijá-la, mas ela se esquivou. Perguntou se eu queria tomar banho, disse que havia deixado uma toalha no banheiro. Depois do banho, tomamos café juntos e foi como se a última noite não tivesse acontecido. Ela me levou até a porta, sentia muito por tudo mas precisava de um tempo sozinha para pensar. Pegou o meu número de telefone e disse que me ligaria. Então me deu um beijo no rosto, rápido e suave. Sorriu e fechou a porta.

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This entry was posted on quinta-feira, 30 de abril de 2015 at 22:13 and is filed under , , , , . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

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